Eu preciso de terapia?

As ruas escuras eram nossa morada. Os becos, as vielas, os prédios abandonados, nossas casas.
O mundo nos via como um grupo de fugitivos, ou criminosos em potencial.
Criminosos nós com certeza não éramos. Fugitivos talvez.
Nós tínhamos tudo e por isso fugimos. As pessoas normalmente não vêem isso como um bom motivo. Na verdade, nos chamam de adolescentes rebeldes e colocam alguns outros rótulos em nós.
Ter tudo nunca foi o suficiente, na verdade, parecia um empecilho pra se ter o bastante. Eu queria paz. Anne, queria se conhecer. Joe, queria ser livre. Carol, queria amar a vida.
Parecem desejos bobos, mas, tudo isso sempre nos inquietou.
Desde que comecei a pensar de fato, lá por volta dos 13 anos, sempre enfrentei crises terríveis, onde qualquer ideia de paz parecia sumir. Colocar a cabeça no travesseiro, numa bela cama, numa bela casa não era paz, nunca foi.
Anne nunca conseguiu se compreender, ela sempre se sentiu perdida. Ela costuma dizer que o momento mais difícil, foi quando ela precisou lidar com os meninos do colégio, que inventaram boatos sobre ela. Ela se fechou pro mundo e se fechou em si mesma, o que sempre atrapalhou seu auto-conhecimento.
Joe parecia brilhante, quero dizer, ele é genial atrás do PC. Tinha 2 anos numa empresa de tecnologia gigante, namorava a 4 anos e estava prestes a noivar. Ele se sentia preso e isso o angustiava. Digo, ele não queria estar refém de nada, nem de ninguém.
Carol, teve problemas na infância, com a madrasta. Ela não gosta de falar muito sobre isso, e seus olhos se enchem de lágrimas quando ela decide contar mais algum detalhe da história. Carol cresceu infeliz e tinha medo das pessoas.
Se entendemos realmente as áreas do cérebro afetadas por cada um desses problemas? Não! Se temos alguma formação na área de psicologia? Não! Mas somos todos psicólogos, os melhores da cidade!
Os momentos de reflexão na escuridão da cidade que dorme, tem me dado paz, uma paz que eu nunca havia experimentado. É muito bom pensar com leveza, sem peso, sem pressão, é bom ter um pouco de paz. Anne todas as noites me pede para fazer perguntas, sobre a vida, sobre a morte, sobre ela, sobre suas crenças. Ela parece estar evoluindo muito bem em se conhecer. Joe é livre, pelo menos ele se sente livre, é o que diz. E Carol, tem lutado muito com esses fantasmas, tem sido muito difícil mas, agora ela confia muito em nós 3, ela parece confortável conosco.
Temos histórias completamente diferentes, cada um seu medo, seu trauma, mas, encontramos juntos o que precisávamos e estamos buscando o que nos falta. Somos nossos fantasmas, somos nossa luz, somos tudo que precisamos.

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