O amor nos tira o Juízo?

Ele passou a ir todas as quintas-feiras no bar próximo a faculdade, não porque gostasse do ambiente ou da música, não por que estava entediado, na verdade ele tinha muitas outras coisas importantes a fazer. Era um advogado de carreira promissora, havia se formado a pouco e era tido como um dos grandes futuros advogados do país.
Poderíamos nos perguntar então o que esse homem de futuro promissor fazia as quintas no bar?
A resposta não vai satisfazer a todos mas, é a verdade.
Pouco depois de terminar o curso de advocacia, ele e uns amigos advogados decidiram se reunir num bar a algumas quadras da faculdade, mal sabia ele que essa decisão mudaria um pouco seus planos.
Bebiam moderadamente, riam e conversavam sobre o tempo de curso, um deles falava sobre o noivado, outro sobre o primeiro caso como advogado, ele não se gabava das expectativas que todos tinham, aliás não era preciso, seus colegas sabiam muito bem que ele seria o melhor em poucos anos.
No meio da noite, entre as músicas, uma garota de nome Bec que devia ter uns 24 anos entra no bar com uma galera, tinha cabelo roxo, usava umas botas pretas, meia calça preta cheia de rasgos, uma saia preta e uma jaqueta de couro preta. A galera que entrou com ela no bar, não era muito diferente, tinham cabelos estranhos, roupas escuras, riam alto e se chamavam com palavrões...
Enquanto Bec passava pela porta, seus olhos percorreriam todo o bar, provavelmente analisando quem estava ali naquela quinta-feira fria de setembro. Da direita para o meio e do meio para a esquerda, digo, seria assim se ela não tivesse parado ao ver, no fundo do bar com mais 3 homens, Vincent.
Difícil imaginar o que a fez parar ao vê-lo, normalmente caras como ele não chamam atenção, cabelo arrumado com gel pro lado, camisa social azul clara e calça social, digo, esses caras normalmente causam repulsa à Bec, sempre engomadinhos e sempre falando sobre coisas que ela nunca entendia.
Durante toda aquela noite trocaram olhares, Vincent já não conseguia prestar atenção nos rapazes e Bec já não se importava mais com o papo que rolava na mesa, pareciam conectados. Estavam ambos ali, presentes fisicamente cada um com seu grupo, mas sei lá, era como se eles não estivessem realmente ali.
Bec foi a última do grupo a sair, seus amigos já estava lá fora esperando. Ela olhou bem nos olhos de Vincent, como se esperasse que ele levantasse e fosse até ela.
Vincent era um advogado jovem e tinha um futuro brilhante, não queria estragar tudo isso com uma garota como ela...
Durante alguns segundos os dois se olharam. Ele tentava bloquear os pensamentos que o mandavam levantar e ir até ela.
Ficar ali sentado enquanto ela partia, veio a ser a decisão mais estúpida que aquele advogado genial viera a tomar.
Naquela noite e em todas as noites seguintes, aquela figura maluca não lhe saia da cabeça. Não saber nem ao menos o nome dela o amargurava, ele se achava um completo covarde, estava perdidamente louco por ela, pensava o tempo todo nela e precisava vê-la.
Já são 4 meses e ele continua indo ao bar as quintas, as terças, sábados, domingos, segundas, quartas e sextas...
Tipo aquele lance do busão...

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