O amor puro e simples!



Éramos um casal a moda antiga. Eu trabalhava muito e ganhava pouco, era tenso mas sempre que dava eu levava uma ou duas rosas pra casa. No nosso 1º aniversário de casamento, eu economizei por um tempo e comprei um buque inteirinho, era lindo, chique, ela amava as rosas e não se importava com a quantidade, ela sabia que era de coração mas, nesse dia ao me ver cruzando a porta com aquele buque, desabou a chorar emocionada, seus olhos estavam cheios e ela me abraçou tremendo. Era uma mulher simples e se impressionava com tão pouco... Era um doce.
Gostávamos muito de caminhar, eu sempre andando a esquerda da calçada, parece bobagem mas ela se sentia protegida. Eu expliquei para ela que era um costume antigo, os homens andavam a esquerda para o caso de um maluco subir com o carro na calçada, teria mais probabilidade de acerta-lo, preservando assim a mulher.
Não tínhamos carro então, caminhávamos durante a noite até o café que ficava no fim da avenida. Nem sempre podíamos comprar café, as vezes nos sentávamos e ela me ouvia falar sobre algum livro que andei lendo. Ela ficava fascinada porque não tinha estudado muito, então gostava de me ouvir. Era linda, sentada na minha frente, segurando minha mão e atenta a cada palavra que saia da minha boca. Era linda.
Ela amava quando eu chegava lentamente, a abraçava, beijava sua testa e a olhava de cima para baixo... Era tão pequenina e tão gigante ao mesmo tempo. Era uma mulher incrível.
Pelo menos uma vez no mês íamos ao cinema, assistíamos um daqueles filmes bem românticos, ela adorava e eu também, chorávamos juntos e conversávamos durante toda uma semana, era ótimo...
Com ela eu era quem era, não precisava usar mascara nenhuma. Era livre e real.
O tempo foi passando e as coisas melhoraram muito, conseguimos comprar um carro. Não era nada demais, só que pra mim foi uma grande coisa. Era meio bizarro, um carro que era muitíssimo mais velho que nós dois juntos mas, andava.
Ela me viu chegando pela janela, pela primeira vez com o carro estacionei na frente da casa e ela saiu de boca aberta. Eu abri a porta do carro pra ela, ela se sentou e estava nervosa, era incrível ver como algo simples era mágico pra ela.
Aquele nosso passeio juntos foi o primeiro e o último. Em um cruzamento, fomos acertados em cheio por um caminhão que vinha em alta velocidade e ultrapassou o farol.
Acordei 3 semanas depois e soube que minha Ana, havia partido.


Foram os 6 anos mais felizes da minha vida, namoramos 2 anos, nos casamos com 21 anos e sua morte precoce aos 24 anos levou consigo tudo, exceto as memórias que tenho com ela e meu coração que 53 anos depois continua a bater por ela.
Já se passaram 53 anos desde sua morte, e tudo que passamos continua vívido em minha memória.
Minha doce Ana, será sempre minha doce Ana.

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