O combo de loucos na Kombi



Marcos tinha uma kombi verde que já estava na família a três gerações. Ele ganhou de seu pai que tinha ganho de seu pai. O avô de Marcos tinha sido um Hippie na velhice, lá nos anos 60.
Marcos, Gabi, Larissa e eu subíamos na velha kombi todo fim de semana e descíamos a serra. É difícil lembrar de uma vez que esse percurso não foi interrompido por algum barulho sinistro que a Kombi fazia.
Nós pegávamos a estrada ao som de Cazuza, Legião e Cássia Eller, cantávamos todos juntos e era uma bagunça completa, foram anos de viagens bizarras.
As nossas bagunças só eram medidas quando parávamos e víamos a kombi, cheia de doritos e cerveja pra todo lado. Lógico que o condutor não bebia! Tudo bem que não era preciso, Marcos por exemplo, era um péssimo motorista então a adrenalina era garantida, mesmo sem o álcool.
Quando parávamos em algum lugar legal, Marcos pegava o Ukulele, a Lari o Cajon, eu e a Gabi éramos péssimos com os instrumentos. Gabi cantava muito bem e eu, era amigo deles e tentava não atrapalhar a música.
Virávamos a noite com algumas cervejas e muita música. Ainda que sempre estivéssemos buscando a praia, nem sempre chegávamos. As vezes um posto de gasolina já era o suficiente. Na verdade não o lugar não importava muito, o que valia mesmo era a fuga.
Marcos e Eu éramos professores, Gabi e Larissa estavam no último ano de Jornalismo.
Todos éramos apaixonados por nosso trabalho, na verdade éramos pessoas realizadas. Eu sempre quis dar aula, é uma energia única mas, ao mesmo tempo que amávamos aquilo, amávamos a liberdade da estrada, amávamos aquela Kombi velha, amávamos a companhia da cerveja e uns dos outros.
Não gostávamos dos Rótulos, na verdade achávamos que os Rótulos não podiam nos compreender. Éramos um grupo de jovens que se amarrava em viver. Sem bandeiras políticas, só a vida sendo vivida!
Éramos meio do contra quando o assunto era tecnologia, por exemplo, essas viagens nunca eram publicadas no facebook, na verdade achávamos esse lance de ficar postando tudo, um saco!
Pensávamos que as redes sociais eram só uma forma de mascarar uma vida inútil e chata. Por isso as fotos de comida, festas e viagens. Gostávamos de curtir aqueles momentos pelos momentos, gostávamos de ficar juntos por ficar juntos.
As conversas sobre isso eram sempre encerradas com a Sabedoria da Lari, que dizia: "Cara, acho isso uma droga mas, cada um posta o que quer."
Era bizarro como essas viagens eram sempre fantásticas, poucas coisas mudavam mas eram sempre novas!


Difícil mesmo era aturar a Gabi roncando a noite toda...

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