O lance do Busão



Nós pegávamos o mesmo ônibus para a escola, todos os dias. Ela sempre se sentava no mesmo lugar. Eu normalmente ficava em pé.
Lembro-me de alguns poucos olhares, um ou outro sorriso. Era muito pouco, alguns olhares e uns sorrisinhos por educação, eu sei que é pouco, mas, me apaixonei por ela.
Eu gostava de olhar pra ela, só não queria que ela percebesse, então sempre olhava com o canto do olho, ou quando via que ela estava olhando para outro lugar. As vezes nossos olhares se cruzavam, eu me lembro, olhava pra ela e ela estava olhando pra mim, em seguida eu olhava para o banco, para a janela, para o chão, para o teto. Na minha mente passavam vários pensamentos, a maioria bem negativos, ela tinha me visto olhando como um bobo pra ela. Passo a mão na boca pra ter a certeza de não estar babando. Ela era linda, a garota mais linda que eu já tinha visto. Quero dizer, não era essa beleza plástica que o mundo tanto exalta. Era simples, dona de uma beleza simples!
Ela passou a ficar em pé no ônibus, normalmente tinham umas 4 pessoas entre nós, mas, ainda podia vê-lá.
Na terça o número de pessoas entre nós diminuiu, na quarta menos uma pessoa, na quinta menos uma e na sexta estávamos lado a lado.
Eu estava num daqueles momentos de reflexão, eu havia decidido que faria com que as coisas valessem a pena, eu queria viver a vida, queria que ela fosse interessante então, ao vê-lá do meu lado, nossas mãos tão próximas, decidi perguntar seu nome.
Ela me olhou, demorou para responder, sorriu e disse: Alice.
Era uma voz doce, doce como o mel. Eu queria ouvi-lá por toda a viagem, todos os dias, queria que ela falasse e falasse, queria que cantasse, que gritasse, a voz dela era doce. Seus olhos grandes e brilhantes, sua boca pequena, como que desenhada pelos deuses, suas bochechas rosadas, que garota linda.
Era uma sexta-feira, conversamos por toda a viagem. Descobri que nosso gosto musical é muito parecido, quero dizer, Radiohead, Smiths, Pearl Jam, Strokes e tudo mais.
Quando estava prestes a descer, a convidei para sair no sábado. Ela aceitou.
Foi uma noite incrível, digo, foi difícil dormir. Eu só queria reviver aquele momento, reviver e reviver. Seus olhos, sua boca, seu cabelo, estavam na minha mente, a noite toda.
Fomos a um barzinho, rolava um cover de uma banda que ela disse gostar. Depois fomos a uma praça e conversamos enquanto caminhávamos. Eu comecei a reparar, ela só vestia um jeans, all-star e uma camiseta preta bem básica. Era diferente, eu já tinha saído com outras garotas antes, elas sempre estavam bem maquiadas e com roupas chamativas. Ela era diferente pra mim, eu gostava disso.
Tivemos uma noite incrível, a lua estava bela, parecia ter sido colocada pelos deuses naquele lugar, para nós dois. Eu a abracei e ela descansou seu rosto em meu peito.
A levei pra casa, sem nenhum beijo.
No domingo, trocamos mensagens o dia todo.
Na segunda, ela segurou minha mão no ônibus e disse que nos veríamos depois da aula, no shopping. Lá estava ela, ao me ver se levantou, pegou na minha mão e começou a andar, como se fossemos namorados.
Até hoje eu não sei dizer quando começamos mesmo a namorar, não sei se foi quando eu pedi, ou se foi naquele momento, quando ela segurou minha mão, ou se foi quando perguntei seu nome, eu não sei!
Mas, quando estou com ela, sinto correntes elétricas percorrendo por todo meu corpo, ouço meu coração batendo mais do que nunca e tenho a impressão de que posso voar.
Minha paixão do ônibus, virou meu amor.
Alice <3


hauhauahuahauhauhauhauha Isso aconteceu comigo, acreditem!

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