Observe as nuvens feitas pelo pequeno artesão


Jesus é o filho de Deus. Intercede pela humanidade diante do Pai. Devo dizer que em minhas fantasias infantis, vejo Jesus sempre ocupado e vejo também Deus o pai ocupado, não como Jesus e nem com Jesus. Imagino eu, que Deus tenha um outro filho. Um filho que ainda não cresceu, que não veio a Terra e não morreu na Cruz. Um filho de quatro ou cinco anos. 

Ele é um garotinho doce, meigo e feliz. Tem cabelos encaracolados e escuros como a noite. Quando olho para o céu, só posso crer que este garotinho brinca com as nuvens que vemos. Consigo imagina-lo formando pandas, elefantes, aviões e outras coisas que encontramos no céu quando nos aquietamos a observa-lo.

Este garotinho deve ser a grande diversão de Deus o Pai. Imagino-o em seu grande trono, não sentado, mas pleno por todo o universo, observando seu pequeno artesão se divertindo enquanto forma formas nas nuvens, esperando ansioso o comentário dos homens.

Imagino-o ouvindo-me dizer: Veja Alice, é um Elefante e depois imagino-o caindo para trás dando aquelas gostosas gargalhadas típicas de uma criança que ainda não conheceu as tristezas do mundo. Consegues imaginar tal coisa? 

Minha visão do "céu", do "eterno" é confusa, confesso, afinal, é de se esperar que em algum sentindo, mesmo que mínimo, as relações humanas sejam o reflexo das relações divinas para consigo mesmo. Mesmo com o pecado, não imagino que tais relações humanas sejam totalmente humanas, tendo em vista o fato de termos sido criados pelo divino. Há algo dele em nós. Por isso a confusão. 

É estranho pensar que mesmo em meio a tanto pecado, tanta sujeira, nós poderíamos ainda, arrancar gargalhadas do pequeno filhinho de Deus. O pequeno artesão das nuvens. O pequeno criador. O sucessor. O doce.

Eu não sei o quero dizer com tal coisa, mas devo informar-lhe que não há em mim sanidade alguma, tendo em vista por exemplo, o lugar onde me encontro, o lugar onde moro. 

Paredes brancas e altas em todos os cantos. Homens e mulheres com jalecos e termostatos, andando de um lado para o outro, falando com um de meus amigos aqui e outro ali. Até que me encontram sempre no mesmo lugar, deitado sobre a grama verde e baixa do pátio dos fundos, olhando para o céu por entre as nuvens, tentando identificar que forma teria dado o pequeno artesão às nuvens naquela tarde. 

Fazendo-o rir. Alegrando-o.


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